carlett-badenhorst-9ZOeCP6GHp4-unsplash 1

dataClima

Dataclima é uma plataforma digital interactiva que permite o acesso aos indicadores climáticos, modelados e observados, relativos à região Continental e regiões Insulares de Portugal. Os indicadores de clima modelado estão disponibilizados desde 1981, até à presente data, para as diversas unidades territoriais e direcionados para o apoio aos diversos sectores de atividade.

Fevereiro 2026

cheias_alcácer_PauloNovaisLusa
Inundações em Alcácer do Sal, após a passagem da Depressão Leonardo, em fevereiro de 2026. Crédito da fotografia: Paulo Novais / Lusa.

O mês de fevereiro de 2026 em Portugal Continental foi classificado como muito quente e extremamente chuvoso.

A temperatura média do ar atingiu 11.66 °C, valor 1.79 °C acima da média climatológica de 1991-2020, tornando-o o 7.º fevereiro mais quente desde que há registos. A temperatura máxima média foi de 15.62 °C, cerca de 0.91 °C acima do normal, enquanto a temperatura mínima média atingiu 7.70 °C, correspondendo a um desvio de +2.67 °C face ao valor climatológico.

Relativamente à precipitação, o mês foi o 5.º mais chuvoso desde o início dos registos e o mais chuvoso dos últimos 47 anos. Em grande parte do território, os totais mensais atingiram três a quatro vezes o valor médio de 1991-2020, ultrapassando mesmo cinco vezes o valor normal em algumas localidades, como Mora, Barreiro (Lavradio) e Alvalade do Sado.

Na primeira quinzena do mês, a precipitação intensa esteve associada à continuação da assagem sucessiva de depressões, acompanhadas pelo transporte de grandes quantidades de humidade sob a forma de rios atmosféricos. Destacaram-se as depressões Leonardo e Marta (4 a 7 de fevereiro) e as superfícies frontais associadas às depressões Nils e Oriana (10 a 13 de fevereiro), que contribuíram para episódios persistentes de precipitação.

Como consequência, o ano hidrológico de 2025/2026 registava, até 28 de fevereiro de 2026, um acumulado de 924 mm, correspondente a cerca de 1.8 vezes o valor médio, classificando-se como o mais chuvoso dos últimos 30 anos e o 6.º mais chuvoso desde 1931. Esta situação refletiu-se também no elevado teor de água no solo, com valores entre 60 % e 100 % em todos os concelhos. Em várias áreas do Norte, interior do Centro e interior do Alto Alentejo, os solos encontravam-se saturados, enquanto no nordeste transmontano se aproximavam de condições de sobressaturação.

ACEDA AO HISTÓRICO MODELADO

Período excecionalmente chuvoso em 2025/26

chuva-shutterstock-728383990-992x661
Crédito: Shutterstock/beira.pt

Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, Portugal continental registou um dos períodos mais chuvosos das últimas décadas, sendo o 7.º trimestre mais chuvoso desde 1931 e o 2.º mais chuvoso desde 2000, atrás de 2000/2001. O ano hidrológico 2025/26 apresenta valores entre 1.5 e 2 vezes acima do normal na maioria das bacias, com várias regiões já próximas do total médio anual.

Janeiro de 2026 foi particularmente anormal no que diz respeito à precipitação, classificando-se como o 2.º janeiro mais chuvoso do século, com precipitação entre 150% e 300% da média em grande parte do território.

Este cenário resultou da persistência de circulação de oeste e do deslocamento para sul do Anticiclone dos Açores, que favoreceu um “comboio de depressões” em direção a território continental. Várias depressões sucessivas, incluindo a tempestade Kristin, que se intensificou por um processo de ciclogénese explosiva, originando rajadas superiores a 150 km/h, provocaram precipitação persistente, cheias, inundações e deslizamentos de terra em diversas regiões do país.

CONHEÇA OS NOSSOS PARCEIROS

EuroLog
CopernicusLog
CCSLog
ECMWFLog